E a violência pode ser familiar

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De vez em quando somos surpreendidos com contos de horror, reais, envolvendo violência contra criança. Praticadas por pais, ou por responsáveis em dar total amor e proteção a estes pequenos. E ficamos horrorizados quando descobrimos que isto acontece também nas “melhores famílias”. Porque violência doméstica não escolhe classe social, tão pouco condição financeira, se você tem um diploma de advogado, de médico, se tem envolvimento com drogas ou qualquer coisa assim. Triste dizer, mas algumas coisas, como bebidas e entorpecentes são apenas catalizadores de situações que podem ser do “maldade” que o ser humano tem por si só.

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Quem xinga, abusa, ameaça, agride não é só o ignorante em conhecimento, sendo que assim qualquer um pode ser, mas é aquele que se acha acima de outro ser humano, que não reconhece que uma criança tem o mesmo direito de afeto e atenção que ele quer impor por uma autoridade barata. E estas relações contrárias que muitas vezes vemos, de pais ofendendo filhos, rejeitando, ou de adultos usando disso para maltratar um menor, resulta em cicatrizes violentas para uma sociedade, talvez uma geração inteira.

O ser humano é capaz de muitas coisas, dentre elas coisas cruéis.Se ficamos surpresos de animais que rejeitam sua cria, isto é tão raro, pensando no ser humano que coloca tantas outras coisas vãs como prioridade diante a sua relação com os filhos.

Pais e mães que imaginam que com medo de perder uma relação amorosa permitem que sentimentos cruéis motivados pelo ciúme, inveja sejam combustíveis para atitudes de ódio e vingança contra seus próprios filhos. E que amor é este? Que não respeita o próximo, sendo ela ainda uma criança. Que é tão frágil como o caráter de quem incentiva, apóia e até mesmo omite coisas assim contra um filho. Se tem uma atitude radical qual tomo, é de não tolerar pessoas que agem mal contra seus próprios filhos e pais (pai e mãe), principalmente quando se fala em crianças. Já deixei de me relacionar com pessoas por causa de atitudes assim, porque, ( me desculpe as palavras duras), eu tenho “nojo de pessoas com atitudes assim”. Porque quem vai de contra aos próprios, muito mais cruel pode ser com os outros.

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E não vai muito longe em situações assim de agressão, morte e histórias de horror envolvendo crianças e adolescentes. Isto acontece às vezes muito perto de você, na agressão verbal, psicológica e em casos mais extremos, com violência física e sexual. Temos isto arraigado em nossa sociedade, e não de agora, o homem tem dois caminhos, partir para o bom caráter ou para mau, e ele pode ser capaz de ser um ser humano, mas também pode ser tornar um monstro com facilidade, ainda mais diante de seres bem  mais frágeis do que eles.  Xingar uma criança de burra é ofensa para ele, pode ser nada para ti, mas para um pequeno é, prometer algo, mentir, denigrir sua imagem, são alguma das coisas que também fazem parte de uma agressão moral. E violência é um ciclo, o palavrão de hoje, motiva a ameaça, que parte para agressão física, que pode ser fatal.

E estas coisas não tem nada com ter diploma na parede,não é só o pai de família sem condições que apoia um abuso de uma madrasta. Tão pouco é a mãe pobre que aceita as agressões de um padrasto, e não é só pais e mães drogados e alcoolizados que cometem abusos contra os filhos. A violência não tem classe social e nem fronteira, ela nasce onde falha o amor.

No período em que trabalhei com Segurança Pública, muitos são os casos, histórias assim, de pais e mães que molestavam os filhos por achar que moralmente eram donos deles, que isto também era uma forma de ensino ou por pura falha de caráter. De crianças que eram vítimas dos companheiros dos próprios pais, por pura falta de respeito e afeto. E meninos e meninas que cresciam numa condição de horror, que às vezes passavam anos numa violência, que muito de nós não percebemos, por trás de uma “família normal”.

Às vezes estas marcas ficam evidentes na escola, nos hospitais, nas ruas. Não é por acaso que são nos hospitais, que médicos e enfermeiros que mais percebem sinais de violência, o mesmo são os professores, vizinhos. E a segurança é um dever de todos, não basta só cobrar atitudes da autoridade, até porque as leis que defendem a infância e juventude, a lei 12.796/2013 – a versão mais atualizada do Estatuto da Criança e Adolescente é uma das mais completas em comparação com outras legislações mundiais.

Violência deve ser vista, observada e denunciada para ser combatida, por todos. Para que não resultem em casos de horror. O exemplo disso é do menino Bernardo Uglione, em que existiam testemunhas que vivenciavam violências ( como babá, professores, parentes e vizinhos que presenciavam o garoto na rua porque não podia entrar em casa se o pai não estivesse presente), denúncias judiciais.

Se houve falhas, os grandes culpados são sim pai e madrasta,mas também de muitos que enxergam a violência e acha que ela é “coisa de vizinho”.Se continuamos achar que estas coisas só acontecem “longe”, serão muitas Isabella Nardoni, Diego Santos, Marias, Carolinas, Pedros e adiante …. o mal se corta pela raiz, e isto é bem radical. E quanto antes melhor, porque quem xinga e ameaça também pode matar.O mal das pessoas que elas esquecem que o mal que os outros praticam ao próximo, o próximo pode ser você.

Repudio a violência em todas as fases, a começar do covarde.

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