Linha torta no Mundo Fashion

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E se para vestir esta roupa linda no seu filho uma criança foi escravizada?

Já escrevi por aqui como está presente o trabalho escravo e o similar a escravidão (onde direitos dos trabalhadores não são praticados) estão presentes no contexto de várias marcas. E infelizmente, cada vez mais tem se denúncia de novos casos, envolvendo marcas conhecidas. As ações são praticadas em países com população em grave estado de miséria, como Vietnã, Índia, Cazaquistão, China.  A saída para a busca pela redução de custos tem sido também desculpas para um crime recorrente desde os primórdios da civilização, a escravidão humana.

Conhecer o que está acontecendo é fundamental. Pensar talvez no consumo responsável. Não vou ser hipócrita de dizer que não uso, tenho peças que podem ter sido fabricadas por pessoas, que talvez não só foram mal remuneradas, mas que também sofreram uma agressão contra a sua própria dignidade. E para nova lista, a GEP ( grupo que controla a GAP, a Cori, Emme, Luigi Bertolli no Brasil). Muitas empresas são procuradas pelo seu alto padrão, mas se quer respeita o ser humano, em sua cadeia produtiva. A desculpa que todas dão, assim como foi a Zara, a Gap Kids Americana, Marisa, Pernambucanas e outras, é que houve uma falha na terceirização. Como se todo processo não fosse acompanhado.

A GEP, numa denúncia veiculada pelo Repórter Brasil, tinha entre seus funcionários terceirizados um grupo de bolivianos em situação similar a escravidão numa fábrica em São Paulo. Ao contrário do que se pensa, escravizar não é só manter alguém na corrente física e no açoite. Apesar que isso ainda  ocorre. Em fiscalização do Ministério Público do Trabalho, Receita Federal e Polícia Federal foram encontrados trabalhadores em situações de perigo de vida, presos a dívida por comida, transporte, além de serem mal remunerados (150 reais por mês em alguns casos), trabalhando numa jornada de até 12 horas por dias, morando e alimentando no mesmo recinto (lugares muitas vezes sujos e totalmente insalubres).

Infelizmente, na corrida do Mundo Fashion, da perspectiva de ganhos econômicos, grandes, médias e pequenas empresas tem buscado por recursos nada humanos. Nomes como Nike, Carters, Zara e outras potências já foram denunciadas. Mas até mesmo o próprio comércio regional ( não vou citar marcas, mas há registros) usam da mão-de-obra mal remunerada, do trabalho escravo. A própria engrenagem do comércio de rua e do informal tem marcas obscuras da violência contra os direitos sociais humanos ( Previsão Constitucional, art. 6º CF).

Não comprar às vezes é complicado, também não sei se resolve por completo, talvez em parte, mas cobrar ações de transparência tanto do governo quanto das empresas seja um caminho para solução. O selo Amigo da Criança ( Fundação Abrinq de proteção a Infância) que não só fiscaliza a cadeia produtiva, como cobram ações práticas de atenção a filhos (as) de funcionários.

O país tem boas leis, específicas, que podem ser exemplos para outros países (até os ditos de primeiro mundo), como  Licença Maternidade, o próprio Estatuto da Criança e Adolescente. Cabe a nós cobrar punição, fiscalização e também buscar conhecimento. Confesso que talvez, em casos o boicote seja mesmo necessário.

E outros fatos devem ser divulgados, como alerta, no sentido de cobrar novas posturas. Marcas como Marc Jacobs e Century 21 foram denunciadas por uso de pele verdadeira (guaxinim) em ‘faux fur’ (pele falsa/sintética). Ou mesmo uso de metais pesados e substâncias que intoxicaram e deram reações alérgicas nas etiquetas das roupas de primavera da Carters. Além de poluição e fraudes tributárias, como o caso famoso da Daslu.

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P.S. As imagens em slide são do blog Tribo Fashion. Mais informações sobre as empresas já denunciadas por uso de mão de obra escrava ou infantil, o link traz um histórico pelo pelo Repórter Brasil. O uso da consciência moral é um bem pessoal e intransferível.

Grandes Marcas e Trabalho Escravo

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